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Companhia de dança de Uberlândia faz parte de documentário francês

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“Obá Obá Obá” fala da Copa realizada no Brasil com músicas de Jorge Ben como carro-chefe (Foto: Adreana Oliveira/ Arquivo) 

Durante a Copa do Mundo de futebol no Brasil, em 2014, dois franceses saíram de seu País para acompanharem de um jeito muito diferente os jogos. O diretor Benjamin Rassat e o cinegrafista e produtor Vincent Moon decidiram fazer uma homenagem àquele que Rassat considera “o mais brasileiro de todos”: Jorge Ben. As músicas do brasileiro deram o tom do documentário que rendeu 11 capítulos (com média de 50 minutos cada) e está disponível na íntegra desde junho, com extras, pela internet.

“Obá Obá Obá” não é um filme sobre Jorge Ben. É um retrato do Brasil a partir do momento em que foi designado como organizador da Copa do Mundo, a partir do momento em que foi ‘obrigado’ a organizar esse evento. Se você olha todo o filme e, particularmente, o último episódio, mesmo com dez episódios celebrando a beleza deste País, ‘Obá Obá Obá’ é um crepúsculo”, afirma Rassat.

Uberlândia tem um capítulo especial nesse projeto. Aqui eles gravaram o episódio 6, que passa também por Brasília e Cuiabá. A Cia de Dança Balé de Rua, que Benjamin conheceu em 2008 durante passagem da companhia por seu país, ganhou um espaço especial no coração do diretor, que fez questão da participação deles neste documentário.

O diretor da companhia, Fernando Narduchi, e o coreógrafo Marco Antônio Garcia e seus dançarinos receberam os franceses de braços abertos na ocasião que marcou a primeira visita deles à cidade.
A música escolhida foi “Quem cochicha o rabo espicha”, que ganhou uma introdução com o dançarino Jivago Afonso Silva na pele do saudoso ator uberlandense Grande Otelo (1915-1993) lendo um trecho de “Macunaíma”, de Mário de Andrade. Segundo Rassat, depois de dois anos, fica uma palavra sobre este trabalho: amizade. Além dele e Moon, o “time Obá Obá Obá” contou com Vanessa Giorno, Pierre Barouh e Rafael Mazza.

BASTIDORES

Para gravar em Uberlândia com o Balé de Rua, Benjamin Rassat e Vincent Moon fizeram uma longa viagem de ônibus do Rio de Janeiro. E foi entre aeroportos, rodoviárias e estádios de futebol, e seus arredores, que eles captaram a Copa do Mundo de um jeito muito particular. “Queria gravar ao vivo, durante a Copa. É praticamente um documentário ao vivo”, diz o diretor com a reportagem no dia da gravação.

Entre 31 de maio e 15 de julho de 2014 eles passaram por 17 cidades brasileiras. O trabalho de edição não foi fácil. “Não sei exatamente, mas devemos ter perto de 100 horas de material bruto. Temos quase 60 cenas (entrevistas e cenas musicais) para construir os 11 episódios”, diz Rassat.

Ele recorda que a coreografia foi gravada depois da “valsa” que a seleção da França passou na Suíça (5-2). “Estávamos em um estado de euforia e felicidade do reencontro com Fernando (Narduchi) e Marquinhos (Marcos Garcia). A cena foi seguida de um jogo de futebol entre a equipe do Balé de Rua contra a equipe de ‘Obá Obá Obá’ sob a luz do Coreto. O episódio 6 também é uma homenagem à vida do ator Grande Otelo”. O coreto citado por Rassat é da Praça Clarimundo Carneiro. Outras locações em Uberlândia foram a Oficina Cultural e a praça Tubal Vilela.

por Adreana Oliveira

Fonte: Correio de Uberlândia