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Franceses ampliam investimentos no Brasil

Com o menor consumo dos Estados Unidos e de toda a Europa devido à crise das dívidas públicas, a França se viu obrigada a estreitar relações com os emergentes em busca de novos mercados para seus produtos. Desde o início da crise internacional, em 2008, mais de 130 companhias francesas desembarcaram no Brasil, ampliando em quase 40% a presença francesa em solo brasileiro em apenas três anos.

De acordo com dados da Ubifrance, a agência francesa para o desenvolvimento internacional de empresas, em 2007, 343 companhias francesas estavam instaladas no Brasil. Esse número subiu para 437 em 2010 e a expectativa é chegar a 500 até o fim deste ano. Em quase um século de trabalhos no país – a primeira companhia francesa chegou ao Brasil em 1919 -, nunca se viu apetite tão aguçado pelo mercado brasileiro.

“O Brasil reagiu muito bem à crise internacional e isso intensificou o interesse das empresas francesas pelo país. O volume de investimento francês no Brasil é o dobro do feito na China”, ressalta Eric Fajole, diretor-geral da Ubifrance no Brasil. Dados do Banco Central da França mostram que, no ano passado, as companhias francesas aplicaram € 3,2 bilhões no Brasil, enquanto os investimentos na China totalizaram € 1,4 bilhão, e na Rússia, marcaram € 1,2 bilhão. A diferença entre os países fica ainda maior no acumulado de dois anos. Enquanto o Brasil recebeu € 7,8 bilhões da França no período, os investimentos na China não chegaram a €3 bilhões e, na Rússia, se limitaram a €1,4 bilhão.

Até 2009, os setores de aeronáutica, espaço, tecnologia da informação e bens de consumo concentravam os investimentos franceses no Brasil, respondendo por mais de 30% das companhias no país. “Nos últimos dois anos temos visto muito interesse pelo setor de saúde e pela cadeia de petróleo”, diz o diretor da Ubifrance.

As expectativas em torno do pré-sal se transformaram em um estímulo extra para a fabricante francesa de componentes para a indústria petrolífera Exsto, que decidiu direcionar €1 milhão para a implantação de uma unidade no Brasil. “Como a Petrobras está cada vez mais procurando produtos nacionais e empresas especializadas em águas profundas, a Exsto preferiu fixar bases por aqui, em vez de apostar nas exportações”, diz Pedro Vieira Neto, gerente industrial e comercial da Exsto Brasil.

Antes de pensar em levantar uma fábrica no país, a Exsto estudou uma parceria com a brasileira Prorevest, fabricante de peças especiais e revestimentos de poliuretano, fundada pelo pai de Vieira Neto. “Como o foco da Prorevest não era a extração de petróleo, o projeto acabou sendo abortado”, diz Vieira Neto, que após as negociações foi convidado a integrar a equipe da Exsto Brasil. “Não teria deixado a empresa da minha família para assumir esse posto se o negócio não fosse muito promissor.”

Para Fajole, esta é a terceira onda de investimentos franceses no Brasil. A primeira se deu no começo do século passado, com a chegada das primeiras companhias francesas ao país, e a segunda veio a partir da entrada de gigantes como Casino, Peugeot e Renault, na década de 90. “Todos os grandes grupos franceses já estão no país. Agora são as pequenas e médias empresas que estão se aproximando.”

Diferentemente do que se via até o estouro da crise, quando as companhias francesas buscavam abrir unidades no Brasil, neste momento o que se percebe, segundo Fajole, é uma crescente procura por fusões e aquisições. “Temos hoje em torno de dez consultas por mês para fusão ou aquisição de empresas no Brasil. Pelo menos metade delas se concretiza. Há três anos, essas consultas não passavam de cinco por ano”, diz o diretor-geral da Ubifrance no Brasil. “Não há tempo de esperar um negócio amadurecer. Por isso, as empresas estão preferindo comprar uma companhia no país em vez de desenvolver sua própria.”

Essa foi a estratégia adotada pela Global Approach Consulting (GAC), que atua no mercado de incentivos à inovação. A consultoria desembarcou no Brasil em julho deste ano com a compra da brasileira I9Now, apostando no potencial de crescimento das companhias no país. “Nosso negócio é baseado no lucro das empresas e o Brasil está se tornando foco de investimentos das multinacionais para compensar o desaquecimento em outros países diante da crise”, argumenta André Palma, diretor-geral da GAC no Brasil.

Palma, que criou a I9Now, explica que fusões e aquisições tornam a entrada de empresas estrangeiras no país menos burocrática e garantem aos novos controladores conhecimento do mercado local. A expectativa da GAC é triplicar seu faturamento em 2012, com a abertura de escritórios em Belo Horizonte, Rio, Brasília, Curitiba e Santa Catarina, além dos de São Paulo e Porto Alegre, já em operação.

A cada dois meses, entre três e cinco companhias francesas recebem ajuda da agência francesa de fomento à inovação Oseo para iniciar operações no Brasil ou ampliar seus negócios no país. Nos últimos seis meses, 20 companhias foram beneficiadas, com financiamentos que variam de € 150 mil a € 3 milhões. “A França representa apenas 6% do mercado mundial. Os outros 94% estão em outro lugar e nós precisamos buscar esses consumidores para alimentar nossos negócios”, observa François Drouin, presidente da Oseo.

Nem todas as empresas francesas que decidem “esticar” suas atividades até o Brasil solicitam ajuda a órgãos governamentais. “Muitas têm recursos próprios e dispensam auxílio do governo”, diz Louis Bazire, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil.

Os grandes grupos, que já têm história no Brasil, também estão vendo o momento atual como uma oportunidade para engordar os investimentos no país e, assim, combater a má fase em sua terra natal. O Casino promoveu dois aumentos de participação no Pão de Açúcar entre setembro e outubro, ampliando para 48,1% sua fatia na rede. Já a Renault estima investir R$ 1,5 bilhão no país até 2015, e a Peugeot quer aplicar R$ 3,7 bilhões no Brasil no mesmo período. [Via GAC Via Jornal Economico]

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