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Cinema Detalhado: Orfeu Negro e o Carnaval da Bahia

Pois é. É quinta-feira, e o Carnaval na minha terra – Salvador, BA – começou. Nessa época, a cidade vira a nova Babilônia. Quem é “Chicletêro” gosta: muita cerveja na cabeça, muito lança-perfume pra dentro, muito beijo na boca (entre outras coisas). “Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu,” cantou Caetano pela primeira vez naquele longínquo ano de 1969. Para o folião que visita Salvador durante esse período, doido pra fazer parte da maior festa do planeta, não existe nada mais verdadeiro.

Como tudo na vida, existe também um lado ruim para esse “Apartheid da alegria”. Quem é da cidade tá por dentro: as ruas grudentas de cerveja, o fedor de urina onipresente, lixo por todo canto e, claro, as pancadarias. É briga dentro dos blocos, por filhinhos-de-mamãe marombados; as brigas entre os cordeiros dos bloco e os “braus” que tão de fora; e os PMs dando porrada em todo mundo, fazendo picadinho dos “pipoqueiros” mais exaltados. Quem é mulher e não tá afim de “varrer” a cidade, sofre também: é puxão de cabelo, é mata-leão (sim, eu já isso acontecer várias vezes, na minha frente inclusive). Se levar o namorado pra festa, então, é certeza de uma dor de cabeça. O cara têm que ser muito maduro e muito cabeça-fria nessas horas, senão… Apanha feito cão sem dono.

Enfim. Voltemos algumas décadas. 1959, pra ser exato. É o ano de lançamento do filme Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus. Orfeu Negro é uma adaptação da peça Orfeu da Conceição (1954), escrita por Vinícius de Moraes e baseada no mito de Orfeu, uma tragédia transposta da Grécia antiga para as favelas cariocas, durante o período de Carnaval. A trilha sonora do filme produziu um dos pilares da bossa-nova: “Manhã de Carnaval” de Luiz Bonfá. A quantidade de gente que regravou essa canção é assombrosa; de Nara Leão, Gal Costa e Caetano Veloso até astros de porte internacional como Frank Sinatra, Luciano Pavarotti e Julio Iglesias.

Fecharei esse breve texto com um vídeo de Baden Powell tocando uma versão instrumental de “Manhã de Carnaval,” talvez uma lembrança dos carnavais de outrora, mais genuínos. Carnavais “do povo”, e não essa poderosa máquina de fabricar dinheiro, excludente, sustentada por turistas privilégiados…

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