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Obra do cartunista Moebius é redescoberta no Brasil

Fonte: O Globo

O cartunista francês Jean Giraud, conhecido como Moebius, morreu no momento em que sua obra está sendo redescoberta no Brasil. Durante anos, os leitores que queriam conhecer histórias clássicas ilustradas por Giraud tinham que recorrer a antigas edições encontradas apenas em sebos. Agora, algumas de suas produções mais importantes estão sendo lançadas – ou relançadas – no Brasil.

Muitas de suas principais obras de ficção científica, produzidas sob o pseudônimo Moebius, nunca haviam sido publicadas no país. Suas narrativas surreais, quase abstratas, que influenciaram filmes como O quinto elemento e até a saga Star Wars, foram reunidas na Coleção Moebius, lançada pela Editora Nemo. O primeiro volume, Arzach (56 páginas, R$ 42), é uma reunião de histórias curtas com o personagem Arzach em que o foco é a arte. A maioria das histórias não tem diálogos, deixando para o leitor a tarefa de entender o que está acontecendo. É a faceta mais experimental de Moebius. O segundo volume, Absoluten Calfeutrail e outras histórias(96 páginas, R$ 49), reúne HQs curtas e menos conhecidas do autor, que mesclam ficção científica, humor e erotismo. Dois outros volumes da série, baseada em uma coleção lançada na França, vão sair ainda este ano. O lançamento de O homem é bom? (56 páginas, R$ 49) está programado para abril, e A garagem hermética, outra de suas obras de ficção científica mais famosas, deve chegar ao mercado em agosto.

“Moebius é uma dos cinco artistas mais influentes e importantes da história dos quadrinhos. É o Picasso ou o Fellini das HQs”, diz Wellington Srbek, editor da Nemo. “Um gênio das imagens, cuja influência e importância vai além dos limites dos quadrinhos, expandindo-se para o cinema, a moda e as artes visuais em geral”. O cartunista francês ajudou a criar o visual de filmes de ficção científica importantes, como o Alien – O oitavo passageiro, de Ridley Scott; Tron, de Steven Lisberger; O segredo do Abismo, de James Cameron; O quinto elemento, de Luc Besson; e He-man e os mestres do universo, de Gary Goddard. George Lucas também usou diversas referências visuais criadas por Moebius na saga Star Wars, em especial os droides de O império contra ataca e o planeta Coruscant. As histórias protagonizadas por Arzach também serviram de influência para o game Panzer Dragoon, de 1995, e foi adaptada para a televisão, em uma minissérie lançada em 2003. Também serviu de inspiração para um dos trechos do filme Heavy Metal, baseado na revista de mesmo nome que publicava histórias de fantasia. A própria Heavy Metal era inspirada na Metal Hurlant, publicação criada por Moebius que influenciou toda a produção posterior de HQs de fantasia e ficção científica.

O Incal

Escrito em parceria com o roteirista, cineasta e escritor Alejandro Jodorowsky, O Incal já havia sido publicado no Brasil antes, mas em volumes separados. Agora, todas as edições originais criadas pela dupla e lançadas originalmente entre 1981 e 1988 foram reunidas em um único volume pela Devir (310 páginas, R$ 95). Na trama, o detetive particular John Difool recebe um poderoso artefato, o Incal, e se envolve em uma intriga que afeta todo o mundo. Ambientada em um futuro distópico criado por Jodorowsky e conhecido como “Jodoverso”, a HQ é baseada em alguns conceitos do tarô, estudado pelo roteirista. O personagem principal, Difool, é baseado na carta do Tolo (“fool”). Outros personagens também são basedos em cartas, e a própria trama é inspirada na jornada do herói. O Incal influenciou outras produções culturais, como o filme O quinto elemento. A dupla chegou a processar o diretor Luc Besson, acusado de “plagiar” O Incal, mas eles perderam a disputa.

Incal é a obra mais importante de Moebius”, diz o jornalista Eduardo Nasi, colaborador do site Universo HQ. Segundo ele, é possível perceber a influência do cartunista francês em obras que tratam do inconsciente e do imaginário, da magia, do simbolismo e da psicanálise, comoPromethea, escrita por Alan Moore, e as continuações do Incal (além das seis edições originais, a história do Incal é contada em outros 10 volumes, mas todas são ilustradas por outros desenhistas). “Moebius é o cara que representa no papel um mundo imaginário, muito mais ligado ao inconsciente do que ao consciente. Ele representou nos quadrinhos uma parte dessa visão hippie dos anos 60, fez a união da ficção científica com a expansão da consciência”, afirma Nasi. [Via Época]

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