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Virtual faz ensaio aberto de novo espetáculo na França

Computadores que não funcionam, tropeços, copos quebrados, confusões de linguagem… A partir do encontro de “pequenos desastres” entre a Virtual Companhia de Dança, de Rio Preto, e a Compagnie Ladainha, de Rennes, surgiu uma coprodução contemporânea, que tem amanhã seu segundo ensaio aberto, na França. Inicialmente batizado como “Niezdarny” (palavra polonesa), o projeto teve o nome simplificado durante o processo. No Brasil e na América do Sul, passa a ser chamado de “Desastrados”, enquanto na França e no resto do mundo será conhecido como “Balivernes”.

Os dois grupos iniciaram a parceria durante a circulação no Brasil, um ano atrás, e montaram o trabalho no país europeu cerca de quatro meses depois. O primeiro ensaio aberto para convidados foi em 21 de setembro do ano passado, mas a estreia oficial está prevista apenas para o mês que vem. De acordo com Marcelo Zamora, diretor artístico ao lado de Armando Pekeno e produtor executivo com Estelle Gouvenelle, as primeiras apresentações estão marcadas para os dias 25 e 26 de abril, em Salvador (BA).

“Existe a possibilidade de pré-estreia no interior paulista, porém, até o momento, não foi confirmada”, diz, destacando que também estão em negociações temporadas em Portugal e na Itália, em dezembro. O público rio-pretense poderá conferir “Desastrados” no dia 28 de abril, no Teatro Municipal “Humberto Sinibaldi Neto”, como parte da programação do segundo dia do Fórum Internacional de Dança do Estado de São Paulo. Desde meados de fevereiro, a Virtual faz temporada na França, onde realiza atividades formativas e sessões de outros trabalhos de seu repertório, como “Diálogos Sobre Nijinsky”. Também acaba de fechar agenda com compromissos até maio de 2013, inclusive no Festival Musical Y De Danse A Pau.

Zamora acredita que a experiência no exterior é bastante positiva. Segundo ele, o intercâmbio cultural possibilitou uma troca generosa de ambas as partes, além de servir para que as duas companhias ganhassem reforço no território da outra, abrindo portas, aproximando os artistas de públicos não habituais e valorizando-os ainda mais. “Para nós, os ensaios abertos têm sido oportunidades para receber feedback de artistas, críticos e programadores. Sem dúvida, uma experiência a capitalizar”, destaca.

Conceitos

Sobre o tablado, Mariane Cerilo, Michelle Brown, Armando Pekeno e Rodrigo Castelo Branco pretendem revelar diferentes leituras dos corpos para um mesmo estímulo, a partir das singularidades de suas biografias. Todas as apresentações serão conjuntas, embora estejam previstos diferentes formatos com, no mínimo, um representante de cada grupo. “O espetáculo é um relato de ações mal-sucedidas, sobrepostas e simultâneas. Propõe desafios a seus intérpretes-criadores, tirando-os, insistentemente, da zona de conforto. A dramaturgia é construída de forma inusitada, desconfigurando a realidade por meio de referências ao teatro do absurdo”, define Zamora.

Em cena, a estética kitsch é reforçada por elementos insólitos. O cenário expõe os bastidores do teatro e da obra, com execução de funções técnicas (como operação de som e de luz e contrarregragem) em palco aberto. O figurino é básico e sobre ele aparecem acessórios (como capas de chuva) que interferem na coreografia. A trilha sonora original, por sua vez, é executada ao vivo pelo músico e compositor francês Eric Trochu e inclui sutis alusões a artistas populares (como o brasileiro Reginaldo Rossi e o francês Claude François).  [DiarioWeb]